sexta-feira, 11 de maio de 2012

Aprendizado Basico - Introdução as estruturas de uma tempestade

Tempestades são comuns em grande parte do Brasil e a maioria da população espera chuvas e ventos. Porém, algumas vezes as tempestades são caracterizadas como tempestades severas, que podem trazer chuva torrencial, ventos intensos, granizo e tornados.
As tempestades são caracterizadas por serem nuvens do tipo cumulusnimbus com grande desenvolvimento vertical, que em alguns casos podem passar dos 15km de altura. A maioria das tempestades são pequenos sistemas multicelulares (possuem mais de um nucleo de chuva) e pequenas celulas isoladas de curta duração.
Porém, no ambiente com condições favoraveis tempestades severas podem se formar. Essas tempestades são caracterizadas por possuírem um ciclo de vida longo, superior a uma hora. Para uma tempestade ser caracterizada como severa, segundo o NWS (National Weather Service) ela deve conter um ou mais dos seguintes: granizo igual ou superior a 1" (2,54cm) de diametro, ventos superiores a 90km/h ou tornados.
As estruturas comumente observadas em tempestades severas são:

Anvil (Bigorna)
A bigorna é a parte superior da tempestade e pode se estender por dezenas de quilômetros.
Na parte inferior da bigorna, em alguns casos, é possivel observar formações com forma de bolhas. Esse tipo de formação é chamado de mammatus. Ao contrario do que é senso comum, mammatus não são indicadores de severidade da tempestade. Mammatus podem ocorrer em qualquer fase da vida de uma tempestade, e podem adquirir diferentes cores de acordo com o angulo com que o sol incide sobre elas.


Exemplo de mamatus

Cortina de chuva
A cortina de chuva é a área de precipitação da tempestade. Ela pode assumir diferentes tamanhos e é comumente confundida com tornados, em casos em que a cortina de chuva parece ter uma forma de funil. Porém, quando observada com mais atenção, é possivel ver que não há rotação.
A região da cortina de chuva pode aprensentar uma coloração esverdeada ou azulada. Ao contrario do que diz o senso popular, esse fato não representa a precipitação de granizo, mas sim de chuva intensa, possivelmente torrencial. Granizo pode, ou não, estar presente na precipitação.

Updraft
O Updraft é a região com correntes ascedentes da tempestade. É o "sistema de alimentação" desse "motor". As correntes ascedentes são compostas de ar quente e umido, que sobe por ser menos denso que o ar frio ao seu redor. Ao se elevar, a umidade condensa e a nuvem se forma. Esse processo libera calor, acelerando a corrente ascedente que continuará subindo até sua temperatura entrar em equilibrio com o ar so seu redor. A partir disso, as particulas de agua condensada começam a se agrupar e ao ficarem pesadas, caem. Em alguns casos, dependendo de fatores como força das correntes ascedentes, nivel de congelamento, etc, ocorre a formação de particulas de gelo. Conforme os fatores mencionados, essas particulas podem se agrupar até formar pedras superiores a 2cm de diametro, e podem atingir o solo com tamanho consideravel, podendo causar danos e ferimentos. O recorde de maior pedra de granizo ja registrada é de 45cm de diametro e foi registrada em Vivian, Dakota do Sul, Estados Unidos.
O Updraft forma a torre que é vista na tempestade, que pode ser vertical ou inclinada. Uma torre inclinada indica uma tempestade com potencial de vida mais longa, pois a área de precipitação fica afastada do updraft, que se mantém por mais tempo.


O updraft pode ser identificado também como a área livre de precipitação em uma tempestade. É nessa região que a maioria dos tornados se formam.




Wall Cloud (Nuvem parede)
A nuvem parede é uma nuvem acessório que se forma sob a base do updraft. Ela é caracterizada como uma sub-base, geralmente obtendo a forma de um pedestal. A nuvem parede pode ser identificada também pelo movimento ascedente das nuvens. Vale lembrar que a nuvem parede só apresenta rotação se estiver na base de uma supercelula. Nesse caso, é sob a nuvem parede que a maioria dos tornados se formam, geralmente prescedidos por uma nuvem funil.





Gust Fronts (Outflow Boundary)
Uma Gust Front, ou frente de rajada, é uma formação de nuvens que marca o avanço de ar frio proveniente de uma frente fria, ou do outflow (ar frio proveniente de uma tempestade). Quando o ar frio avança, ele permanece perto do solo por ser mais denso, e empurra o ar mais quente para cima, que condensa. Frentes de rajada podem vir acompanhadas de ventos fortes, acima de 120km/h e em casos em que a tempestade está proxima ou junto da frente de rajada, chuva. 



Na parte inferios da Frente de rajada se encontra a Shelf Cloud, ou nuvem prateleira. Essa estrutura geralmente apresenta rotação com sentido vertical, como um rolo. No caso da shelf cloud não estar conectada a uma estrutura superior, ela é chamada de roll cloud, ou nuvem rolo. Shelf clouds podem apresentar uma estrutura "limpa", de chapada, ou nuvens fracionadas, que são comumente confundidas com nuvens funis ou tornados. Vale lembrar que um tornado nunca se forma na shelf cloud.




Fonte: NOAA/NWS
Fotos: Vortex Brasil

5 comentários:

  1. Pablo Jakelaitis12 de maio de 2012 10:14

    Muito boa a postagem, um dia andando pela cidade, apareceu um tipo de tornado, que não causava grandes ventos, mas que parecia um tornado, mesmo com o tempo bom, porque isso acontece, e se isso pode se agravar e formar um tornado que pode causar danos.

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    1. Provavelmente se tratou de um Dust Devil, os redemoinhos de vento que vemos por ai. Eles se formam pelo aquecimento que ocorre durante o dia. Dificilmente causam danos, mas pode ocorrer. Mas eles não evoluem para tornados.

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    2. Pablo Jakelaitis14 de maio de 2012 19:20

      Muito Obrigado pela resposta. Porque o tempo está ficando meio maluco e mais imprevisível, porisso vivo acessando o site do IPMET pra ver se vem chuva...

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    3. Os avisos e produtos do Ipmet são excelentes.

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  2. que cidade eh nas duas ultimas fotos?

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